Desenvolvimentos em embalagens flexíveis – Parte 02

Foto cedida por Bemis Flexible Packaging

Foto cedida por Bemis Flexible Packaging

Em meu artigo anterior eu prometi que nesta parte iremos dar uma olhada nas premiações FPA. Mas antes das premiações eu gostaria de destacar mais uma embalagem flexível fora desta competição. Estou falando da Reverse, uma embalagem flexível para vinho, que é uma releitura elegante e inovadora da clássica garrafa Bordeaux.

Pouch para vinho Reverse
De acordo com a agência de design Reverse Innovation em Milão/ Itália, o vinho vendido em pouches, embalagens cartonadas ou em bag-in-box ainda são vistos pelo consumidor como sinônimo de má qualidade.

Particularmente eu duvido dessa declaração, mas isso não vem ao caso. O fato é que temos visto projetos de alta qualidade em bag-in-box, que realçam as características do vinho. Assim como os pouches, não devemos esquecer que para o vinho é um formato on-the-go, leve, fácil de transportar e descartar.

Os vinhos em embalagens cartonadas passam a imagem de baratos, já os vinhos em garrafas de vidro originais, muitas vezes representam esnobismo e podem passar a ideia de estar fora do poder compra consumidor.
Eu escrevi sobre a atitude dos consumidores em relação as embalagens de vinho no artigo para o Best in Packaging “Wine In Portable, Single-Serve Packaging”. Então não irei repetir neste artigo.

De qualquer forma, em parceria com o enólogo Adriano Gigante, a Reverse Innovation decidiu “revolucionar” o pouch de vinho e batizou esse design de “Wine Pouch (R)evolution”.

O resultado é um pouch flexível estruturado e com design que pretende reinterpretar a clássica garrafa Bordeaux. A estrutura de papel rígido que evolvendo o brilhante pouch preto define sua forma sofisticada e garante que ele possa ficar em pé por conta própria. O design gráfico e os finos detalhes desempenham um papel crucial no apoio ao posicionamento da alta qualidade do vinho. Os contornos do formato da garrafa são realçados com linhas douradas, enquanto o terroir do vinho é contado por meio do uso de uma estampa em verniz UV para reproduzir a forma específica da folha da videira, que é característica da região.

Agora é o momento de olharmos os prêmios FPA.

Soupa Campbell’s Ready Meals

A embalagem da Campbell Ready Meals é um pouch auto-ventilado para refeições portáteis que parece e funciona como uma tigela. Pode-se dizer que é o primeiro deste tipo, é livre de BPA (bisfenol-A), microondável e ao mesmo tempo não precisa de refrigeração. A fácil abertura transforma o pouch em uma tigela instantânea, permitindo que os consumidores possam comer direto no pouch. O design microondável inclui zonas de toque frio, também conta a tecnologia Magic Steam da Bemis que permite que o produto seja cozido no micro-ondas em sua própria embalagem sem necessidade de abri-la, e possuí o controle de ventilação para eliminar pontos quentes ou frios.

A Bemis Flexible Packaging, fornecedora do stand-up pouch, afirma que ele é compatível com a regulamentação de temperaturas FDA podendo chegar até a 275⁰F (135⁰C). A alta performance da barreira de laminação consiste de PET, nylon, e selante PP. A impressão inversa 48-ga OPET recebe a barreira de revestimento transparente retort-grade.
A estrutura robusta, rígida e resistente permite que o pouch passe segurança ao ponto de funcionar como uma tigela e entregar um shelf life de 12 meses. O Doy-style, formato do fundo transparente, permite que o consumidor veja a variedade da refeição antes de comprar.

O stand-up pouch é impresso em oito cores, com selantes e tintas especialmente desenvolvidas, resistentes ao calor e desgastes do processo, para entregar um pouch flexível resistente e com qualidade no layout.
Além da ventilação controlada para que os consumidores não precisem abrir o pouch antes de colocar no micro-ondas, ele inclui zonas frias de toque que são claramente identificadas na parte dianteira e traseira do pouch. Com estas zonas frias o consumidor pode pegar de forma segura o pouch quando retirá-lo do micro-ondas para abrir.

A embalagem também conta com o Quick Steaming Technology que permite que o pouch funcione como uma panela de pressão em miniatura, aquecendo o conteúdo de forma rápida e uniforme. Aberturas cuidadosamente posicionadas permitem a saída do vapor, eliminando pontos quentes ou frios para proporcionar refeições perfeitamente preparadas. O rápido aquecimento uniforme mantém a ótima textura, sabor e qualidade dos alimentos e evita o superaquecimento.

Embora nem um stand-up pouch se transforme em tigela, a funcionalidade da embalagem não é novidade, a facilidade desse formato já é conseguido com algumas alternativas convenientes para refeições rápidas em latas de metal, frascos de vidro, ou bandejas com filme flexível lidding.

Ao abordar as características de sustentabilidade e os benefícios ambientais associados a esta embalagem, a Bemis diz que o pouch tem uma série de vantagens sobre latas de metal tradicionais. Por um lado, elimina Bisfenol A, o revestimento à base de epóxi aplicado dentro de latas de estanhado para proteger os alimentos contra corrosão do metal e bactérias. Esse argumento BPS-free, como vantagem está desatualizado, já que a sopa Campell’s anunciou há alguns meses que serão BPA-free em todas as suas embalagens metálicas.

Autoclavable Dispos-a-vent Barrier Pouch
Vapor, pressão, tempo e temperatura representam os quatro parâmetros de esterilização a vapor, que é executado no âmbito de um esterilizador autoclave para destruir os micro-organismos afim de impedir a transmissão de potenciais doenças.
São muitas as etapas do processo para esterilizar equipamentos médicos e em seguida selar o pacote estéril em uma segunda embalagem de barreira para fornecer proteção contra umidade. O novo Autoclavable Dispôs-a-vent Barrier Pouch da Oliver-Tolas Healthcare Packaging, no entanto, permite a esterilização em uma embalagem porosa.

Os pouchs de barreira Dispos-a-vent são desenvolvidos com o Tyvek, papel ventilado para um maior fluxo de ar durante a EtO, esterilização a vapor e um filme de alta barreira ou pouch laminado com folha de alumínio para facilitar a conversão após a esterilização.

De acordo com as instruções da companhia, o fabricante de equipamentos médico tem que embalar o seu equipamento em um pouch Dispôs-a-vent para a esterilização. Após o ciclo de esterilização finalizado, ele faz uma vedação que envolve o equipamento no filme ou folha do pouch e depois corta e descartar o Tyvek ou papel ventilado. O resultado é um equipamento esterilizado em um pouch de filme ou folha com propriedades de barreira superiores.
O pouch suporta as altas temperaturas de esterilização em autoclave, e proporciona uma barreira à umidade para os dispositivos que requerem umidade para permanecer na embalagem primária, após a esterilização e até que ponto de utilização.

O projeto é uma melhoria das opções de embalagens existentes, tais como bandejas com tampa e outras embalagens rígidas, que envolvem a esterilização em um pacote poroso e a reembalagem em uma segunda embalagem de barreira. Eliminando a necessidade da segunda embalagem melhora a eficiência, reduz custos e elimina o desperdício de material desnecessário.

O pouch contém uma folha laminada de alta barreira que proporciona o máximo de propriedades de umidade e de barreira de oxigênio para prolongar a vida útil do dispositivo. A resistência contra furos, proporcionada pela camada selante de alta densidade de polietileno co-extrudido evita que as bordas das bandejas ou pontas afiadas de equipamentos médicos perfurem a embalagem.

Nova embalagem blister em pouch
Os produtos farmacêuticos são, em geral embalados num blister que é colocado junto com a bula em um cartucho. A Bemis Healthcare Packaging em parceria com a Presto Products Co., utiliza embalagens flexíveis em vez de embalagens de cartão para proteger os blisters.

A característica desse novo desenvolvimento de embalagem é o pouch, que fornece dois benefícios, a prova de crianças (CR) e barreira de proteção para a bula e para medicamentos sem a necessidade de prescrição.
O pouch possui o recurso Child-Guard CR da Presto e ziper, um fechamento que impede as crianças de abrir, porém é fácil e intuitivo para os idosos.

A Bemis Healthcare Packaging desenvolve os pouches usando uma laminação de três camadas composta pelos materiais PET 92-gauge/folha 35-ga/ PE (PerfecPharm P510), essa combinação oferece alta barreira para umidade e oxigênio. O PET 92-ga é frequentemente usado em folha de laminação que serão usados em aplicações de embalagem CR. Uma alternativa é uma de dupla camada sem folha de laminação (PerfecPharm 35634-M), que oferece alta resistência à punção adequada para aplicações em embalagens CR.

Consequentemente, o blister pode ser feito a partir de materiais sem barreira com melhoria no custo, e a função de proteção do produto é transferida para o pouch.

Os pouchs são fornecidos pré-fabricados, podendo ter formatos de stand-up ou flat pouchs, com a opção de adicionar um furo para pendurar a embalagem. O blister que utiliza o pouch tem o mesmo tamanho padrão dos blisters convencionais.

Existem desenvolvimentos mais interessantes que virão. Veja na parte 03 desta série, em que vamos falar sobre o Anti-Slip Bag da Kohinoor, a Duke’s Mayonnaise, o pouch Toyo Jidoki, o pouch SqueezyStraw, o Cowboy Bath-In-A-Bag e o pouch Mondi’s Teapot Shaped.

Artigo traduzido em Português por Fernanda Vieira do Nascimento. (Artigo original: “Developments In Flexible Packaging – Part 02”

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