Embalagem Interativa – Comunicação Via Rotulagem

Os rótulos são ferramentas de comunicação extremamente importantes. Quando eu falar hoje sobre rotulagem, não me refiro a “um simples pedaço de papel ou plástico colado na embalagem”. No meu artigo de hoje, rotulagem engloba todas as informações apresentadas (impressas) em uma embalagem. Informações, em parte sobre as leis e regulamentações, em parte sobre determinadas solicitações dos consumidores e, em parte, naturalmente, sobre as inesquecíveis ilustrações para agradar o marketing.
Quero destacar os problemas de tecnologia de rotulagem como ferramenta de comunicação e com relação aos desenvolvimentos recentes de interatividade.

No passado, o marketing decidiu enfeitar as embalagens com muitas ilustrações. Nos dias atuais e mais ainda no futuro, as informações principais, se não todas, mas boa parte serão compostas por regulamentações e pela vontade do consumidor em obter informações mais detalhadas sobre os produtos, a sua composição e origem, bem como da sua embalagem.

E enquanto não colocarmos fim em todas as informações solicitadas para serem colocadas nos rótulos, nós só pioramos a situação, fazendo embalagens cada vez menores e ainda, ignoramos a embalagem secundária.
Reduzir o tamanho da embalagem primária ou da embalagem secundária tem suas vantagens, mas, consequentemente, teremos uma área de impressão muito menor para as informações do consumidor.

E nós ainda nem falamos sobre Braille, idosos com a visão restrita, etiquetas com relevos e aromas, etiquetas com sensor de temperatura, embalagem interativa com animação e voz, códigos de barras 2D, QR code, etiquetagem RFID , e muito menos anti-falsificação.

Em 2006, a Heinz Japão começou como pioneira no mundo, usando códigos de barras 2D em suas embalagens de sopa. Escaneando pelo telefone celular o consumidor envia receitas para o computador de casa.

Mas onde é que vamos colocar toda essa quantidade crescente de informações?

O grande volume de desenvolvimentos atuais só oferecem soluções inovadoras a margem do problema.

A única resposta adequada para resolver este problema parece ser a implementação de conectividade ou interatividade, ou como quiser chamá-lo, para assegurar que todas as informações estão disponíveis para o consumidor.
Interatividade entre o consumidor e o fabricante por conectividade pode ser a solução, mas como acontece com toda solução adequada, a implementação cria novos problemas a serem resolvidos.

Thin Film Eletrônicos (Thinfilm) fez uma parceria com Constantia Flexibles para entregar rótulos sensíveis à pressão, utilizando tecnologia NFC OpenSense (Near Field Communication) da Thinfilm

Quando você quiser entrar no mundo da interatividade na embalagem, em primeiro lugar você tem que ver dois desenvolvimentos recentes relacionados a isso. O primeiro dos dois é a posição do FDA nos EUA, mas eu garanto que a posição da UE não vai ser diferente. O FDA tomou a posição de que as informações fornecidas em sites da web são consideradas “rotulagem” de um determinado produto, se o rótulo do produto contém um link que direciona o consumidor para o site. Isso significa que o embalador é responsável pelas informações do site, assim como se fosse no rótulo da embalagem. Eu voltarei a falar sobre as consequências em um minuto.
O segundo desenvolvimento é sinistro. A “Investigatory Powers Bill” proposta pelo Reino Unido permitiria que brinquedos inteligentes infantis fossem usados para espionar a aplicação da lei britânica. Não é difícil pensar que o próximo passo seria a utilização de embalagens interativas presentes em todas as famílias.
Vou começar com o caso sinistro e um acompanhamento sobre a posição FDA. Depois disto, vou lhe dar alguns exemplos interessantes de interatividade útil.

Desculpe, como a primeira parte deste artigo ficou um pouco chata. Mas é importante falar sobre a regulamentação governamental, mas eu prometo que vou tentar animar o texto um pouco com alguns comentários sarcásticos sobre o Reino Unido.

A “Investigatory Powers Bill”
Às vezes você tem a impressão de que não deve ter medo apenas da invasão de hackers (ver meu artigo: “Dangerous Idiocy in Packaging Interactivity”), no desenvolvimento da interatividade na embalagem, mas também quanto a vontade desenfreada das agências governamentais em invadir a privacidade de seus cidadãos.

Olá Barbie da Mattel – foto: Adweek

De qualquer forma, o governo do Reino Unido, que ainda vive em seu mundo de sonhos de ser uma potência mundial, e que sempre foi famoso pela sua espionagem, apesar das suas agências serem desajeitadas e amadoras neste campo, não chegando muito mais longe do que está sendo visto mundialmente, como cãozinho de estimação dos primos americanos.
Mas seja qual for o caso, as empresas de bens de consumo embalados, tem que enfrentar esta intrusão, como membros do governo do Reino Unido que acreditam que brinquedos conectados poderia vir a calhar para espionagem. Eles introduziram o projeto de “Investigatory Powers Bill “ que permitiria que as agências de segurança e inteligência pudessem interferir com equipamentos eletrônicos, a fim de obter dados de comunicação de um dispositivo, ou seja, brinquedos. Isto significaria que as agências governamentais podem assumir legalmente brinquedos infantis para monitorar suspeitos.
Com a “Investigatory Powers Bill “, o governo do Reino Unido propõe tornar possível a capacidade de quebrar a criptografia final implementada por empresas privadas para os seus serviços. (Fonte: DesignNews)

Não é difícil ver que esta lei irá expandir-se rapidamente para outros itens no mercado (tenha em mente a fome desenfreada), e você pode esperar ela também para embalagens interativas. O que seria mais atraente do que produtos de limpeza em pé no balcão da cozinha por semanas? Ou mais ainda, imaginar algumas embalagens te espionando, quando tiver momentos íntimos com a sua namorada ou marido. Além disso, a ineficiência das agências de espionagem na aplicação da lei, nos faz imaginar que os hackers poderão fazer a festa.

Após esta espalhafatosa apresentação da impotência dos espiões em nosso meio, vamos passar para alguns itens graves.

A perspectiva legal de embalagens interativas
Empresas de bens embalados que consideram a implementação de conectividade interativa em suas embalagens, tem que ter cuidado ao aplicar a informação no rótulo, bem como das informações adicionais, com a intenção de estabelecer através de uma ligação para o seu site. Do ponto de vista legal, é importante saber que a EUA Food & Drug Administration tomou a posição de que a informação sobre os alimentos e bebidas fornecidas em sites é considerada “rotulagem” de um determinado produto, se o rótulo do produto contém um link ou direciona os consumidores para o site. Isso significa que o embalador é responsável pelas informações do site na mesma base, como se fosse no rótulo da embalagem, de modo que todas as declarações precisam ser verdadeiras e não enganosas e quaisquer reivindicações devem cumprir com os requisitos legais e regulamentares da FDA, como por exemplo, as alegações de saúde ou reivindicações de conteúdo de nutrientes. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos tem uma abordagem semelhante em relação a carne e rotulagem de aves.

Ardagh Grupo parceiro da empresa holandesa Watermark FiliGrade entrou na era digital, oferecendo impressão interativa inteligente na sua embalagem de metal. A empresa vai incorporar seu código invisível, a FiliGrade Interative Digital Watermark (FIDW) tecnologia na impressão de artes finais, ou impressão de desenho específico ou inteiro de projetos de embalagens. Mais sobre isso em parte 02 desta série.

Com esta última afirmação, consigo mostrar a meus leitores alguns novos desenvolvimentos interessantes de interatividade nas embalagens. No meu próximo artigo, vamos discutir o “SmartLabel program”, uma iniciativa da Grocery Manufacturers Association, e uma maneira de estender o conteúdo do rótulo de um produto utilizando uma ligação eletrônica. Depois disso, vamos ver a pressão Thinfilm-Constantia, etiquetas sensíveis para bebidas, a impressão interativa Ardagh-FiliGrade relativa a embalagens e a última criação Guala/NXP de tampas de garrafas interativas.

Artigo traduzido em Português por Cintia Alencar. (Artigo original: “Interactive Packaging – Communication Via Labelling”)

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