A Evolução em Embalagens Farmacêuticas 01

Eu raramente escrevo sobre embalagens médicas e farmacêuticas. A razão é simples. Em meus cerca de 45 anos de experiência na área de embalagens, estive envolvido principalmente com tecnologia de embalagens de alimentos e apenas esporadicamente e não frequentemente em aplicações não-alimentares. Além disso, sei que muitos dos meus leitores vão discordar, eu acho as embalagens para alimentos muito mais fascinantes e suas soluções mais complicadas, do que as embalagens não-alimentares. Claro que embalagens para produtos farmacêuticos e cosméticos também são muito exigentes, mas suas demandas surgem mais de regras e regulamentos, falsificações e similares e menos com os requisitos do produto.

Na edição de março da revista World Packaging eu li uma entrevista de Jim Butschli, Editor com Richard Adams, chefe do Design gráfico da embalagem na GlaxoSmithKline em Raleigh-Durham, NC / EUA. Uma das perguntas me impressionou: “O que você está procurando de fornecedores de embalagem? Você confia nos fornecedores mais no dia de hoje do que nos últimos anos?”.
Richard Adams respondeu: “Em uma palavra, inovação – materiais e soluções em embalagens inovadoras para atender aos esforços de diversificação dentro de nossa empresa. A variedade de produtos e suas exigências, juntamente com as restrições reguladoras do mercado obrigam as embalagens farmacêuticas a serem mais criativas em um espaço em constante evolução. Contamos com fornecedores que agregam mais valor. Nós simplesmente não temos tempo ou recursos para compreender o que está disponível e novidades”.

Então, para ajudar a acomodar a resposta, deixe-me destacar aqui alguns desenvolvimentos interessantes em embalagens farmacêuticas. Começamos com a embalagem que ‘fala’, é o futuro.

A embalagem que fala
O mercado mundial de embalagens de saúde é um mercado complexo. E é grande, como calcula a Visiongain, o mercado mundial de embalagens de saúde vai chegar a USD 93.9 bilhões em 2012. Os variados fatores que afetam a demanda e consumo de remédios, bem como o desenvolvimento de práticas médicas, determinam a embalagem, que é constantemente desafiada pelas tendências evolutivas tais como o aumento do uso de produtos médicos descartáveis, envelhecimento da população, a influência dos regulamentos, embalagens a prova de crianças e acessíveis a idosos, e a inviolabilidade da embalagem.

É um dos setores de embalagem que mais necessitam fornecer informações ao consumidor do que qualquer outra. E acima de tudo ao “deficiente”, não me interprete mal sobre essa palavra, me refiro ao consumidor, que está de uma forma ou de outra,seja por deficiência física ou mental, incapaz de usar todas as suas funções a 100%. E, vamos ser honestos, a leitura do folheto/bula com as instruções, pode causar uma dor de cabeça. Embalagens eletrônicas abordam o fato de que um terço de nós tem dificuldade em ler as instruções impressas em fontes cada vez menores.

A resposta pode ser encontrada na embalagem “que fala”. Há dois desenvolvimentos deste tipo neste momento (até onde eu sei). Um deles é o “TalkPack”, da Wipak Walsrode GmbH na Alemanha, que é um sistema que pode ser integrado invisivelmente em qualquer imagem impressa e em qualquer material de embalagem necessitando de uma caneta especial de digitalização e o outro é o resultado de um desenvolvimento recente da VTT Technical Research Centre da Finlândia usando “tags”, é baseado na tecnologia NFC (Near Field Communication) ligada a tecnologia NFC de telefones celulares para baixar textos, áudio ou informações sobre um produto em uma página web, que pode ser reproduzidos nos aparelhos.

Vamos dar uma rápida olhada no TalkPack e depois nos resultados de pesquisa da VTT.

O TalkPack
Com os códigos especiais do TalkPack, informações de todos os tipos podem ser armazenadas e podem ser integradas invisivelmente em qualquer imagem impressa. Uma caneta digital pode reproduzir fala, música, ou sons audíveis e assim, o consumidor pode obter informações sobre o fabricante, marca e prazo de validade dentre outras.

O método utilizado pela “TalkPack” não se limita à materiais de embalagem, pois pode ser utilizado em qualquer material impresso. Não são usados outros elementos compostos, o que poderia influenciar a qualidade da reciclagem.
Um leitor especial em forma de caneta é utilizado para recuperar as informações armazenadas e reproduzi-las como arquivos de áudio. A TalkPack não requer qualquer RFID ou microchip, o código em pontos é simplesmente impresso por cima das imagens e textos utilizando um verniz especial. Esta tecnologia pode ser usada em conjunto com todas as tecnologias de impressão e tipos de embalagens.
No entanto, a necessidade de utilizar uma caneta digital, significa que o “TalkPack” só pode ser ativado em lojas.

Atualização: Wipak me informou que, devido a problemas legais, eles tiveram que mudar o nome da “TalkPack” em: “Self Talk”.

A etiqueta da Near Field Communication

As etiquetas NFC (Near Field Communication) usadas pelo Centro de Pesquisa Técnica VTT podem ser adicionadas a qualquer embalagem, de modo que um consumidor poderia tocar o código na embalagem com seu telefone móvel habilitado para NFC para fazer o download de áudio, texto ou informações sobre o produto na página web, que podem ser reproduzidos em seu aparelho.
Em um exemplo da pesquisa, os dados armazenados em uma etiqueta NFC em um frasco de remédios forneceram instruções de dosagem para os funcionários da farmácia, com o intuito de ajudar pessoas com deficiência visual ou cega.

Atualmente, o número de telefones móveis com a tecnologia NFC é limitado, mas a VTT acredita que esse é um mercado crescente.

A indústria médica e farmacêutica poderá usar a tecnologia para exibir informações detalhadas e instruções em uma área pequena.

A VTT dirigiu o projeto de pesquisa “HearMeFeelMe” e acredita que existem “muitas possibilidades de usar a tecnologia NFC em serviços que melhoram a vida cotidiana das pessoas”.
Os cientistas da VTT acreditam que as pessoas estariam mais motivadas a descobrir informações sobre o produto, se essas informações estivessem disponíveis facilmente. Já é possível que o telefone móvel possa mostrar um vídeo sobre como usar um novo produto apenas tocando uma etiqueta com o seu celular.

Ambos os sistemas têm prós e contras. O ponto fraco no sistema da Wipak é a caneta digital, o ponto forte, é claro, é que ele pode simplesmente ser impresso em qualquer material de embalagem. Para o sistema da VTT o ponto fraco é a necessidade de uma etiqueta e o ponto forte é a disponibilidade para um telefone móvel habilitado para NFC. Eu creio que uma combinação de ambos os sistemas poderia levar a uma solução perfeita.

Eu disse no início deste artigo que eu tenho vários desenvolvimentos em embalagens na área da saúde em minha carteira, assim me sinto seguro para um próximo artigo. Volte sempre.

Texto revisado por Fabiana Paciulo

2 Respostas para “A Evolução em Embalagens Farmacêuticas 01

  1. Oi Anton, novidades são interessantes quando vêm para agregar tecnologia de segurança, proteção, praticidade ou estética, mas coloco outra questão que ninguém fala quando se desativa um parque industrial existente porque aquela embalagem ficou obsoleta como fizeram com o vidro para medicamentos e bebidas há pouco tempo atrás e hoje estão voltando atrás porque o vidro é eternamente reciclável e os recursos plásticos não, ninguém fala das máquinas paradas, pessoas desempregadas e desperdício de tecnologia…isto também é ser verde? ou não?…O que você me diz de embalagens simples, monomaterial e que trazem segurança, praticidade, proteção e recurso estético, além da efetiva facilidade de reciclagem mesmo que antigas ?

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