Inovações mundiais em tecnologia de embalagem com um "toque de verde", acentuando a sustentabilidade e a reciclagem

130101-Slide2

Atualmente temos três assuntos quentes no mundo da embalagem.
O primeiro é a tampa dispensadora, encontrada na maioria das garrafas de água para inserção de certas doses de vitaminas. É um formato de embalagem que através dos últimos anos atraiu um número crescente de indústrias de bebidas, mas agora está se expandindo para outras aplicações.
O segundo trata das embalagens self –heating (auto aquecíveis), que possuem a capacidade de aquecer o conteúdo sem necessitar de fontes de calor e energia externa. Até agora, esse tipo de embalagem estava concentrado no mercado de bebidas como café e chá em lata e mais recentemente foi aplicado para sopas, porém, sem dúvida a veremos no segmento de alimentos sólidos e no mercado on-the-go (para viagem).
Isso nos leva ao terceiro assunto, o qual, com certeza se enquadra na conveniência das embalagens on-the-go, um segmento de mercado que cresce rapidamente e tem se propagado para o segmento de snacks e alimentos prontos para o consumo em embalagens de conveniência.
130101-Aestech self heating infant Nutrition [5] 320x444 100dpiÉ interessante observar todos esses tópicos combinados em uma única inovação, devo dizer bastante revolucionária e única.
Mas, antes de discutirmos essa inovação, temos que olhar mais de perto a questão da conveniência de alimentar nossos bebês com fórmulas infantis quando não estamos em casa.
Nos últimos anos, temos visto inovações interessantes em embalagens para esse tipo de produto, contudo, todos eles mantêm a “luta” dos pais com a embalagem do pó, colher medidora, mamadeira e bico e, além disso, a tarefa, às vezes árdua, de encontrar uma fonte de aquecimento, para que a criança possa finalmente desfrutar de sua “refeição”.
Bem, a resposta vem na forma de uma embalagem com auto-aquecimento, que inclui dispensador de pó, quantidade suficiente de água potável e um bico.
Essa inovação em embalagem foi desenvolvida pela start-up Holandesa Aestech em Eindhoven e é uma embalagem para alimentos semi-líquidos, especialmente alimentos para bebês.
130101-Aestech self heating infant Nutrition [4] W320 100dpiAo contrário das embalagens desse tipo disponíveis no mercado – a maioria composta por latas metálicas com pré-misturas de café e chá – ela possui uma câmara separada onde se encontra o leite, enquanto o elemento de aquecimento está localizado no fundo, em uma câmara maior, onde se localiza a água.
Em outras palavras, não se trata de um produto com ingredientes pré-misturados, pois as vitaminas e o leite em pó são armazenados separadamente da água, permanecendo secos até o momento do consumo, o que preserva o “poder” das vitaminas.
Mesmo já se encontrando patenteada, essa embalagem ainda está em desenvolvimento, ou mais apropriadamente, se trata de um protótipo.
E você verá isso observando as imagens. Consequentemente eu não poderia deixar de fazer alguns comentários críticos.

A câmara de dispensação
Após a remoção do selo da tampa, o botão de ativação pode ser acionado através do selo plástico entre a câmara de dispensação do pó e o compartimento de água que flui em uma linha reta.
Para café e chá em pó, como é o pó que cai sobre a água, não há problemas, porém, em se tratando de leite, o problema de formar grumos é mais crítico.
Mesmo que as instruções sejam de chacoalhar diversas vezes a fim de obter uma mistura perfeita entre o pó e a água, é duvidoso que toda a matéria seca dispensada pela câmara termine na água.
130101-foto(3) 320x322 100dpiEm minha opinião, o “gotejamento” em linha deveria ser substituído por um circular – como observamos nas tampas (Twist Caps) de bebidas com vitaminas – para ter a certeza que todo o pó caia sobre o líquido abaixo. A dispensação em linha reta é muito crítica para garantir que todo o pó se misture com a água. (Veja mais detalhes sobre o desenvolvimento de tampas dispensadoras em meu artigo : “Developments in Dispensing Caps – An Overview” 01, 02, e  03).

O elemento aquecedor
Para garantir que todo o elemento aquecedor seja circulado pelo líquido a ser aquecido, esse elemento, feito de alumínio, é disposto em pequenas colunas. Isso tem a maior importância, não somente para garantir a melhor transferência de calor, mas também para prevenir a ocorrência de reações bruscas que derretam o fundo da embalagem plástica.

Este desenvolvimento é um desvio das práticas comuns nas latas com auto-aquecimento, onde o elemento de aquecimento é parte integrante do fundo da embalagem e onde é encontrado consequentemente, o botão de ativação. No desenvolvimento da Aestech, o botão de ativação está no topo da embalagem e o elemento de aquecimento está separado do fundo pelo líquido.
Claro que esse tipo de aplicação para fórmula infantil é muito importante já que menos energia é necessária para levar o produto à temperatura de 37°C, em contraste aos 62°C do café.
(veja meus artigos detalhados sobre embalagens auto-aquecíveis em: “Self-Heating Packaging Containers” 01 e 02).

A construção
20121029  Press Infant NutritionA embalagem possui quatro compartimentos ou câmaras. No compartimento do topo – ou câmara de dispensação – onde está o botão de ativação, encontramos a matéria seca (leite em pó e vitaminas) selada com alumínio.
O líquido a ser aquecido encontra-se no espaço entre essa câmara e o elemento aquecedor. O elemento aquecedor está totalmente imerso nesse líquido de maneira a garantir o contato com o líquido, mas prevenir o contato direto com o consumidor.
Esse elemento aquecedor é preenchido com uma certa quantidade de óxido de cálcio, que reage com água se transformando em hidróxido de cálcio, o que gera o aquecimento. A água é necessária para que essa reação exotérmica se processe após ativação do botão no topo da embalagem.
Podem ser utilizados materiais alternativos ao óxido de cálcio como pó fino de ferro que fornece calor de oxidação ou soluções saturadas que fornecem calor de cristalização.

Como funciona
Através do acionamento do botão no topo da embalagem o alumínio que recobre a câmara de dispensação se rompe e libera a matéria seca (leite em pó) que cai sobre o compartimento inferior contendo a água.

130101-Slide7

130101-Slide8Isso gera uma ação simultânea através da pressão que empurra a água através do tubo do elemento aquecedor, gerando a reação exotérmica com o óxido de cálcio. O elemento aquecedor então transfere o calor para a mistura ao seu redor e após cerca de 2 minutos e sob ligeira agitação da embalagem a fórmula atinge a temperatura ideal de consumo de 37ºC, o bico pode ser colocado e o bebê pode desfrutar de sua refeição.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Estou ciente de que essa inovação precisa de algumas modificações antes de ser colocada no mercado, mas não se pode negar que se trata de um desenvolvimento único e inteligente.
Espero ver mais inovações como essas esse ano.

Traduzido por Fabiana S. Paciulo

Foto cortesia Waitrose

Em sua recente pesquisa de mercado “Snacking in America 2012”, realizada nos EUA, o grupo NPD concluiu em seu relatório que o café da manhã é a principal refeição somando 28% das ocasiões de alimentação, seguido pelo jantar com 27% e almoço com 25 %, porém o lanche não fica atrás, totalizando 20%. Mais da metade dos americanos, cerca de 53%, lancham cerca de 3 vezes ao dia, e os adeptos das dietas mais saudáveis fazem lanches mais freqüentemente.
No Brasil a situação depende da região observada com predominância de lanches caseiros em regiões afastadas de centros metropolitanos e regiões como norte e nordeste. Mas nas grandes metrópoles do sudeste os hábitos de consumo para viagem já podem ser observados, seja no trabalho, na faculdade ou no caminho, justificado pela correria do dia a dia. Além disso, com a mudança da sociedade e o aumento do número de solteiros e separados em relação aos casados e o aumento de mulheres como chefes de família, existe uma tendência na fabricação de produtos em porções individuais e de preparo rápido.

Vendedor de salgadinhos na Praça Josino Ferreira

Segundo a pesquisa de mercado “Global Snacking 2012: Brazil” conduzida pelo Hartman Group, a cultura de “beliscar” entre as refeições é comum também no Brasil.
De acordo com o estudo, o café da manhã não é importante para muitos brasileiros. O que é bem verdade já que um pãozinho com manteiga e café com leite ou um pão de queijo são suficientes, enquanto em outros países o desjejum é tratado como um almoço brasileiro com bacon, ovos e até feijão. Além disso, novamente a falta de tempo leva ao consumo de alimentos na rua enquanto nos deslocamos de um lugar a outro, e com grande variedade de opções, nem sempre saudáveis.
Devido a esses fatores e associado ao hábito brasileiro de misturar convívio social com petiscos, o Brasil representa um grande mercado.

No cenário de prosperidade atual e com o aumento de poder aquisitivo há grandes possibilidades, em especial para lanches matinais, levando-se em consideração o trunfo de alimentos embalados em relação à higiene, quando pensamos em alimentos vendidos na rua.
Quando comparados aos americanos, os brasileiros se diferenciam ainda por não apreciar comer enquanto anda, preferindo parar e se acomodar enquanto se alimenta.
O lanche no Brasil consiste de cafezinho, biscoitos, bolo ou ainda um salgado. Ainda segundo o estudo, o brasileiro tem especial admiração pelos doces.
Atualmente esse cenário vem sendo afetado pela necessidade da redução de calorias, graças ao avanço da obesidade, então podemos encontrar barras de cereais e frutas em substituição aos tradicionais petiscos.

Vendedor de espetinhos na Praça Josino ferreira

Historicamente, as mudanças nos hábitos de consumo direcionam os desenvolvimentos de novos produtos, porém, de acordo com estudos conduzidos pela US trade association PMMI, os investimentos em desenvolvimento de embalagens, especialmente no setor de snacks/lanches, são predominantemente impulsionados pelas necessidades do varejo.

Nesse contexto, os EUA representam uma população “para viagem”. De acordo com pesquisa do SymphonyIRI‘s group “2012 Consumer Snacking”, mais de um terço da população consome lanches em lugar de refeições quando em trânsito.

Fabricantes dentre várias categorias de alimentos e bebidas estão atendendo as necessidades dos consumidores com hábitos de consumo “para viagem”. Em 2011, 37% dos lançamentos de novos alimentos e bebidas enfatizavam os atributos de rapidez e portabilidade, contra uma média histórica de 28%.

Graças à intensificação de novas tecnologias e designs, os fabricantes nos proporcionam desfrutar, de maneira mais rápida e fácil, de uma extensa linha de alimentos e bebidas, em casa ou fora dela.
Para esses consumidores que buscam por preparo rápido, qualidade premium, frescor, texturas ricas e o sabor agradável de comida caseira, o mercado recentemente apresentou desenvolvimentos que levam em consideração o consumidor ávido por economia de tempo.

Coffe Bag – Bolsa para café
A empresa Dinamarquesa Nordic introduziu uma cafeteira descartável, que foi chamada de Coffeebrewer, e funciona dentro do próprio saco do tipo pouch.

A cafeteira é basicamente um híbrido entre um filtro de papel e uma cafeteira do tipo prensa francesa. O projeto da Coffeebrewer permite uma extração perfeita, enquanto o volume do saco possibilita o contato entre a água quente e o café e a extração do aroma.
O sistema único de extração é desenhado para preservar os óleos naturais do café, enfatizando seus sabores delicados e finos aromas, o que, de outra maneira, só poderia ser obtido pela própria cafeteira de prensa francesa.
A embalagem contém um filtro com 26 gramas de café fresco moído. Para coar 3 xícaras de café, tudo o que você precisa é abrir o saco, adicionar meio litro de água quente e deixar em repouso por 5 a 8 minutos.

O filtro separa efetivamente o café coado do pó e, quando é servida a primeira xícara e meia, o café restante fica sob o filtro, encerrando o processo de extração. Isso significa que o café não se tornará amargo com o tempo, como ocorre na prensa francesa.
A Coffeebrewer claramente utiliza mais material de embalagem por xícara de café que qualquer outro tipo de solução para viagem do gênero. O tamanho da embalagem é semelhante a uma folha A5 com espessura de 1 cm e peso de 45 g.

O saco não utiliza camada de alumínio, mas sim 7.7 g PE, 1.6 g PET e 6.8 g de papel oriundo de madeira de reflorestamento sueca. O PE, que é composto de carbono e hidrogênio, supostamente não agride o meio ambiente.

Maggi “Moment Mahl“
O centro Nestlé de tecnologia de produtos, em Singen (Hohentwiel) na Alemanha, projetou uma embalagem colapsável (pode ser dobrada), prática para sopas instantâneas. A embalagem é notável graças à combinação de um saco flexível que contém o produto e uma parte dobrável em cartão que se converte convenientemente em uma xícara para sopa, após apertarmos a embalagem.

O destaque da embalagem da sopa “Moment Mahl“ é que o recipiente da sopa é integrado ao saco. Tudo que o consumidor tem que fazer é abrir o topo da embalagem e apertar as laterais nos locais indicados até ouvir o “click”, criando uma estável terrina para sopa. Então, após adicionar água fervente, agitar vigorosamente e aguardar 3 minutos, poderá desfrutar de sua sopa.

A nova sopa Maggi traz, em cada embalagem, o conteúdo de 250 ml e é uma solução perfeita para lanches rápidos como uma pausa no trabalho ou matar a fome entre as refeições. Quando comparada à embalagem sólida (copo) atualmente no mercado, essa embalagem, que se transforma de um saco plano em uma sopeira, ganha pontos pelo excelente ganho de espaço durante o transporte e armazenamento.

Deli Box da Batchelors
Afirmando ter se inspirado no estilo das embalagens cartonadas de noodles, populares na América, o novo Deli Box da Batchelors massas variadas é ideal para lanches no trabalho, para viagem e para famílias apressadas. O consumidor precisa apenas puxar a película no topo, adicionar água quente, mexer e aguardar 5 minutos para criar uma mini-refeição com uma porção reduzida de 75 g.

Mesmo que a embalagem de porção individual aparente ter “credenciais” verdes, não há nada no site da companhia sobre as vantagens da embalagem, seu desenho ou materiais utilizados. Não revelar nada a esse respeito é bastante perturbador e mostra absoluta negligência por parte da Batchelors com os consumidores com consciência ambiental, já que pesquisas de mercado e marketing apontam que atualmente os consumidores são ávidos por maiores detalhes.

A Alexir é a fabricante da embalagem, mas também não traz nenhuma informação apropriada em seu site, com exceção de alguns “cases” sem sentido, como o seguinte:

“Uma consulta inicial da Premier, a Alexir, sobre um projeto colaborativo para uma nova linha de massa seca instantânea, liderada por um grande grupo incluindo a produção de uma embalagem “shelf ready” (vai direto à prateleira) pela Alexir International.”
Mas nada traz sobre a chamada “embalagem projetada para a prateleira”.
De qualquer maneira a embalagem é familiar e similar a CFS Ecoplus, que descrevi em meu artigo: Evolução: De “Optimum Pack” para “Ecoplus Pack”.

Vou repetir aqui alguns detalhes da EcoPlus, assim meus leitores podem ter uma ideia de como é a embalagem Deli Box da Batchelors.
A CFS Germany GmbH desenvolveu a EcoPlus como uma alternativa econômica à bandeja cartonada e pré-fabricada.
A vantagem dessa embalagem é sua estrutura simples que consiste em uma camada externa de cartão e uma interna de filme. Ambas as partes são separadas por um compartimento com ar. O cartão pode ser impresso por completo antes de ser moldado em formato de caixa. O filme interno pode ser rígido ou flexível.

Se for utilizado filme PP não há razão para que não se possa aquecê-la em microondas (ou com adição de água quente como requerido pela Deli Box). O cartão então ficará morno graças ao “colchão de ar” entre as camadas de cartão e filme. Após sua utilização o cartão e o filme podem ser descartados separadamente.

Como foi dito, a indústria de snacks/lanches rápidos está em expansão. O mercado global vai aumentar cerca de 334 bilhões de dólares em 2015.
No futuro, veremos mais soluções interessantes em embalagens nesse segmento.

Artigo escrito por Fabiana Paciulo com base no artigo original: “On-the-Go – Just Add Some Hot Water”

Em meu segundo artigo sobre a evolução nas embalagens farmacêuticas (ver meu artigo anterior sobre a “embalagem que fala”) mostrarei soluções para folhetos de informação ao paciente. Mais conhecidos como bulas, consistem em um folheto duplo ou multicamada, folhas únicas ou multi-página, algumas vezes sob a forma de brochura, que, de uma maneira ou de outra, deve ser incorporado na embalagem farmacêutica.
São utilizados para aplicações onde o espaço de impressão na embalagem é inadequado para apresentar as informações necessárias.

Para a indústria farmacêutica, os folhetos de várias páginas têm sido especialmente notáveis, pois com o controle regulatório rigoroso, aumentou a necessidade de mais informações do produto, muitas vezes em vários idiomas.

Não é incomum, uma vez nas mãos dos pacientes, a perda das instruções de utilização publicadas e as informações de segurança, fornecidas com drogas de prescrição e venda livre. Uma solução para este problema é oferecida pelo Burgopack e Medica Packaging. A embalagem da Burgopack incentiva o cumprimento regulatório e seguimento do tratamento, mantendo a bula, o produto embalado em blister e a embalagem exterior, permanentemente conectados através de um único mecanismo de deslizamento. O cartucho Chrysalis da Medica Packaging combina a bula informativa diretamente na estrutura da embalagem.

Como ambas as embalagens utilizam blister, adicionei o mais recente desenvolvimento em embalagens blister, ou seja, o filme da Constantia Flexibles Ltd para a cobertura de blisteres, livre de papel (paper free) e resistente a crianças.
Todos os são ligados um ao outro e, como verão, utilizam o desenho ou o material um do outro.

Chrysalis combina a Embalagem para medicamentos e a Bula Informativa
O desenho do cartucho Chrysalis da Medica Packaging combina a bula diretamente na estrutura da embalagem exterior. Informações importantes sobre a medicação são convenientemente ligadas ao cartucho exterior durante todo o ciclo de vida dos produtos.

O cartucho Chrysalis foi mostrado ao público pela primeira vez na exposição “Pharmapack Europe” realizada ano passado em Paris, França.
O projeto mantém o folheto compacto e acessível para que o consumidor possa ter acesso às informações sobre o produto. A perfuração abre-fácil no painel traseiro da embalagem permite ao consumidor o acesso às informações sem destruir o cartucho. A aba grande perfurada para acessar o folheto ocupa aproximadamente dois terços da área da superfície do painel traseiro.
Com o folheto de informações ao paciente já conectado à embalagem não há necessidade de inserir um folheto separado ao conteúdo da embalagem.

A empresa afirma que a concepção também tem a capacidade de simplificar o processo de fabricação, pois a embalagem é fornecida com o folheto já aplicado e não há necessidade de inseri-lo separadamente. Isto permite o aumento da velocidade de produção por meio de uma inserção mais rápida do produto, e simultaneamente redução de custos.

O cartucho Chrysalis, totalmente patenteado, é trazido ao mercado pela Burgopak Healthcare & Technology e fabricado sob licença pela Medica Packaging Ltda.

Cartucho Smartpack – Arte & Design Indústria Gráfica Ltda
Na mesma linha de bulas conjugadas encontramos o fornecedor brasileiro Smartpack. O objetivo primordial também é preservar a bula na embalagem após seu rompimento, oferecendo praticidade e segurança já que mantém as informações de uso disponíveis até o final do produto.

No Brasil, a bula representa o principal material informativo fornecido aos pacientes na aquisição de medicamentos produzidos pela indústria farmacêutica e a obrigatoriedade de inclusão na embalagem dos medicamentos é regulamentada pela Portaria no 110 da Secretaria de Vigilância Sanitária, de março de 1997. A bula é apontada como a fonte de informação mais importante sobre medicamentos após a prescrição médica e é um meio importante para sucesso no seguimento e eficácia do tratamento, além de fonte de consulta em caso de intoxicação e efeitos colaterais, além das indicações de armazenamento corretas.

A embalagem, lançada em junho de 2011 no mercado, possui um compartimento lacrado por sistema de abertura picotado que pode ser fechado novamente por uma trava, onde está colada a bula.
O processo de conjugação do folheto é feito por sistema automatizado com dispositivos de segurança evitando a mistura.
Como vantagens adicionais a Smartpack alega oferecer um melhor aproveitamento do perímetro interno do cartucho, permitindo ajuste no tamanho da embalagem em relação ao produto.

Ainda como vantagem para a indústria tem a gestão de apenas um estoque, o que pode se tornar um problema, já que muitas vezes os lotes mínimos para bulas e cartuchos não correspondem, e também a minimização do risco de misturas do ponto de vista da qualidade assegurada.
A empresa também afirma redução nos custos de produção por velocidade, manuseio de estoques e custos de aplicação da bula à embalagem, além da redução da possibilidade de falsificações.

As variações de aplicação são: aplicação e conjugação no compartimento, sem conjugação, impressão no compartimento e na parte interna da embalagem.
Nesse caso, a aplicação do conceito ainda se estende além do segmento farmacêutico, podendo também ser utilizado para fins promocionais e ações de marketing tais como: inserção de cadernos de receitas, dicas, códigos e folhetos promocionais, cupons de sorteios e outros, nos segmentos alimentício, cosmético, eletrônicos e etc.

O design deslizante e resistente a crianças da Burgopak
O design deslizante da Burgopak resistente a crianças incentiva o cumprimento em manter a bula, o produto no blister e a embalagem exterior permanentemente conectados através do mecanismo de deslizamento. A funcionalidade da embalagem resistente a crianças é baseada em um sistema de bloqueio por pontos de pressão. O blister e a bula são expostos nas extremidades opostas da embalagem quando o utilizador empurra simultaneamente duas guias e desliza para abrir a embalagem.

Para a embalagem de blister duplo, o consumidor puxa um dos blisteres para fora da caixa, que automaticamente empurra o segundo blister para fora, do lado oposto. Quando se trata de uma embalagem de blister único, o folheto aparece no outro lado da caixa.
O segredo da embalagem, concebida pela Burgopak, é a fita de deslizamento. Esta fita é disposta horizontalmente em torno do painel interior do cartão. Essa fita é colada no lado esquerdo do cartão de papelão já com um folheto colado. O lado esquerdo do blister é então colado à parte de trás da fita. Quando um blister à direita é extraído, a fita de deslizamento puxa para a direita e empurra o outro blister para a esquerda.

Pode ser produzido em modelos mono e duplo blister, e ainda pode conter dois produtos diferentes. Todos os desenhos incluem folhetos que são impressos e fornecidos em formato pré-dobrado.

A embalagem é produzida em máquinas da Burgopak totalmente automatizadas e pode ser fornecida globalmente a empresas farmacêuticas e de saúde.

O projeto alcançou êxito na Consumer Product Safety Commission dos EUA (agência regulatória federal independente) de resistência a crianças e eficácia em uso amigável (facilidade de uso por idosos). Está em conformidade com as normas reguladoras dos EUA para embalagens com prevenção de intoxicação. Isto foi alcançado com resultados impressionantes: eficácia de resistência de 98% e eficácia de uso amigável sênior/adulto de 95%.

Blister Pack Child-Resistant
O Blister Pack Child-Resistant, que foi projetado para o Staxyn, um medicamento para disfunção erétil da Bayer Pharma, atende a ambos os requisitos de resistência a crianças e uso amigável. Foi testado com sucesso para os dois parâmetros no mercado norte-americano e será introduzido em todo o mundo futuramente.

Este Blister consiste em uma folha de alumínio livre de papel e resistente a crianças, Alu15/PET12/Alu15/descascável e verniz selável a quente.

Comparado ao convencional papel/PET/ laminado de alumínio, a folha de cobertura livre de papel Blister Child-Resistant da Constantia Flexibles oferece uma série de benefícios.
Para a cobertura de blister livre de papel, a temperatura de selagem na linha é menor do que para laminados convencionais de alumínio/papel, o que significa que o consumo de energia é reduzido e, como o tempo de permanência na zona de selagem pode ser reduzido, a máquina de blister pode funcionar a velocidades mais elevadas. Uma vantagem adicional é a melhora da estabilidade do processo com a eliminação das bolhas que podem ocorrer no papel durante a selagem.

Além disso, devido à composição do material, que utiliza sobre a camada de decoração exterior um primer à base de água, em vez de um primer contendo solventes, fornece uma alternativa sustentável ao blister com cobertura padrão para as empresas farmacêuticas. O primer também resiste às temperaturas elevadas de vedação geradas durante o processo de embalagem.

Com este novo primer foi possível uma economia de mais de 220 toneladas de emissões de CO2 em 2011 e, de acordo com estimativas, este número irá aumentar para mais de 640 toneladas por ano em 2012.

Esta folha de cobertura para Blister Child-Resistant está disponível para os mecanismos de abertura: rasgar&empurrar (peel & push), descascar (peel-off ) ou dobrar&rasgar.

Revisado e o paragrafo sobre SmartPack por Fabiana Paciúlo

Artigos relatados:

   

No blog “myprivatebrand” de 15 de Março de 2012, Perry Seelert, parceiro estratégico da united* dsn, uma consultoria de design em Nova York e São Francisco, escreveu sobre o que chamou de “A Síndrome Autocongratulatória”.

Eu extraí e interpretei livremente algumas de suas palavras:
Os prêmios da indústria parecem ter se tornado meio loucos com todas as revistas e sites tendo seus próprios vencedores da “embalagem do ano” e “design de embalagem do ano”. Se esses prêmios fossem mais seletivos seriam mais significativos, mas em muitos casos, recompensam um design medíocre. Aparentemente, organizar eventos de premiação representa apenas dinheiro para as empresas de mídia.
Através de um olhar crítico, ainda há muito potencial para transformar a maneira como a indústria se projeta, e impulsionar um marketing e branding mais confiáveis. Mas, sendo honestos, a linguagem visual e ambiental desses shows luta contra isso.Muitas vezes, as agendas são a epítome da “Síndrome Autocongratulatória”: oradores monótonos apresentando estudos de caso com “palavras inovadoras” como “NOVAS ideias”, “compare & economize” ou talvez um novo “classe valorizada”. Nada disso significa “inovação”.
Elogios demais e poucas críticas, ultimamente. Um pouco mais de crítica poderia estimular novas ideias, novas marcas e uma nova forma de medir o nosso sucesso.

Tide PODS Liquid Unit Dose Laundry Detergent by Procter & Gamble

Devo dizer que concordo plenamente com Perry. Há prêmios de embalagem demais e eles não têm qualquer valor. No entanto, dito isso, há alguns Prêmios (na realidade muito poucos) no mundo de embalagem que são muito valiosos. Indiscutivelmente um dos melhores é o Prêmio DuPont Packaging. Pelo menos o DuPont é respeitado e, consequentemente, recebe entradas de qualidade, suficientes para ser capaz de apresentar um relatório dos jurados bem fundamentado. Felizmente os jurados da DuPont não estão cegos pelos gráficos e formas fantásticas, mas incluem melhorias adequadas na tecnologia das embalagens em seus julgamentos. Eu não concordo com todas as suas escolhas, mas pelo menos o DuPont surge, a cada ano, com um quinhão de verdadeiras inovações em embalagens. E isso é algo que você não pode dizer sobre a maioria dos concursos de premiações de embalagem.

Prêmios DuPont Packaging 2012
Várias marcas líderes, como Heinz, Kraft, Cadbury, Pepperidge Farm, e Unilever, levaram prêmios para casa no 24º DuPont Awards para inovação em embalagens, a celebração de maior duração na indústria global, independentemente julgando a inovação e colaboração em toda a cadeia de valor.

Eu fiz uma seleção dos vencedores, os quais acho valer a pena um olhar mais atento. Em dois artigos (cada um com três inovações) vou descrever os seguintes vencedores:
1. A tecnologia de embalagem FreshCase para carne.
2. O YES Pack da Kraft.
3. A Preservação Ultrafresca no sistema de Congelamento.
4. O pote para creme da Sulhwasoo Dahamsul.
5. O Tide PODS Unidade para Detergente Líquido para Lavar Roupas.
6. E, finalmente, a tecnologia micro-celular de InCycle CPET.

Embalagem FreshCase para Carnes Vermelhas Frescas
A embalagem FreshCase, desenvolvida pela Curwood Inc, reivindica ser a primeira embalagem a vácuo para carnes vermelhas que mantém a cor apetitosa da carne através de um aditivo, de propriedade, encontrado na natureza, em contato com a camada de barreira da embalagem.

Carne embalada a vácuo tradicional é “roxa”, o que é considerado desagradável por muitos consumidores que associam as cores com frescor. A embalagem FreshCase também estende a vida útil 10 vezes mais em relação à carne embalada na loja.
A combinação de vida útil mais longa e aparência mais atraente promete tanto reduzir resíduos e desperdício de alimentos como aumentar a disponibilidade de proteínas em regiões mais distantes de fontes alimentares.

Como alternativa para atmosfera modificada (MAP) e bandejas de poliestireno expandido (EPS) com um invólucro de PVC, que dominam o segmento de carnes embaladas, a FreshCase permite redução de 75% nos resíduos: menos resíduos nos aterros sanitários e redução de material de embalagem em até 75%, em comparação com outros formatos embalados, melhorando assim a sustentabilidade.
Comparado às embalagens de EPS/PVC prontas que são centralmente embaladas, a embalagem FreshCase elimina os inconvenientes estéticos de embalagens lavadas com fluxo de gás oxigênio, como “ossos negros”. Também elimina o excesso de embalagem comum em embalagens lavadas com gás, devido à quantidade superior de espaço necessária em embalagens MAP.

A FreshCase embalada a vácuo é hermeticamente fechada, eliminando o problema de vazamentos de embalagens de carne no varejo, carrinho de compras e caixa.
A embalagem FreshCase é aprovada pelo USDA para uma vida útil até 36 dias para carne do músculo inteira e 34 dias para carne moída.

De acordo com os jurados da DuPont Award, a embalagem FreshCase aborda um esforço importante para ajudar a garantir que os alimentos mantenham seu valor nutricional e frescura e reduz o desperdício de alimentos por deterioração.

Kraft YES Pack, Embalagem abre-fácil para Condimentos
Em novembro de 2010 eu escrevi neste blog sobre a Smart Bottle da ExoPack. A “Garrafa Inteligente” da Exopack apresenta uma bolsa com quatro cantos selados que é moldada por sopro em uma “garrafa”. Após o enchimento, os quatro selos formam os quatro cantos verticais de uma “garrafa” leve, semirrígida com rosca, o resultado da fusão de diferentes tecnologias de embalagem.

Nessa época eu havia informado que a embalagem ainda não estava disponível comercialmente, mas havia sido testada em tamanhos que iam de um ½ galão até 5 galões. Ela podia conter tanto conteúdos secos ou líquidos e podia ser impressa em todos os quatro lados.
E aqui está ela introduzida no mercado pela Kraft Foods.

A Kraft YES Pack, cuja palavra YES significa Yield, Ease, Sustainability (Rendimento, Facilidade, Sustentabilidade), é uma embalagem flexível e ambientalmente amigável para frascos de molhos. A YES Pack é concebida para ajudar os operadores de foodservice a gerenciar custos e melhorar a eficiência na casam com o rendimento dos molhos melhorado em até 99% (em comparação com frascos rígidos). O design com duas alças permite o transporte fácil e o bico menor fornece precisão de fluxo.

Em comparação com a produção do frasco rígido, a empresa afirma que a embalagem YES é feita com 50% menos energia, 60% menos plástico, e 70% menos emissões de CO2 do transporte.

A Yes Pack é uma bolsa stand up, feita a partir de um filme flexível com uma mistura de nylon e polietileno, com alças duplas, e uma tampa de rosca rígida que substitui o recipiente tradicional de plástico rígido para molhos de saladas.

“Nós eliminamos 70% do transporte necessário para produzir nossos recipientes de molho de salada devido aos caminhões não terem que entregar as garrafas vazias a Kraft”, afirmou a empresa. “Agora, nós fabricamos a Yes Pack no mesmo local onde o nosso molho é produzido”.

A Kraft firmou parceria com a PE International, uma empresa de consultoria em sustentabilidade, para realizar uma Avaliação de Ciclo de Vida que quantificou os benefícios ambientais da Yes Pack. A Avaliação do Ciclo de Vida é um método padronizado de avaliação de impactos ambientais ao longo do ciclo de vida de um produto desde a produção de matéria-prima, fabricação e uso, e todo o percurso até seu descarte.

A embalagem é mais compacta do que frascos rígidos e achata quando vazia, o que pode facilitar o descarte de resíduos e baixos custos de remoção. Quando se trata de reciclagem, a garrafa rígida original é realmente mais fácil de reciclar, pois a Yes Pack pode não ser aceita para a reciclagem em todas as áreas. No entanto, a Kraft afirmou que embora a garrafa rígida original seja mais aceita por programas de reciclagem, sua taxa de reciclagem tem sido baixa.

Por enquanto, a Yes Pack é destinada somente aos molhos de salada da Kraft Foodservice.

Embalagem com Eletro-condutividade que ajuda a manter Alimentos Congelados ‘Frescos’
A Preservação Ultrafresca no sistema de Congelamento, usando o “Potencial Elétrico” alto e Embalagens eletro-condutivas, é desenvolvida pela Mutsumi Chemical Industry Co Ltd, em colaboração com a Sun Electric Company Ltd e a Enshu-Kasei Co Ltd, todas do Japão.
A combinação de congelamento rápido e do inovador saco eletro-condutivo preserva o sabor dos alimentos e a textura, reduzindo a quantidade de alimentos descartados.

A Preservação Ultrafresca no sistema de Congelamento utiliza tecnologia comprovada da indústria de eletrônicos para garantir a qualidade dos alimentos e aumentar sua vida útil e atratividade. Este sistema de congelamento rápido usa tanto corrente alternada quanto contínua, “potencial elétrico” elevado, ao mesmo tempo para resfriar rapidamente o produto sem oxidação, reduzindo o tamanho dos cristais de gelo que se formam nas células dos alimentos. Este processo se baseia em um desenho único de embalagem incluindo um saco eletro-condutivo feito de PEBD Linear e DuPont Entira AS.

O saco eletro-condutivo precisa de algumas explicações.
Antiestático, dissipador eletrostático (ESD) e aditivos condutivos migram antiestáticos que se difundem para a superfície do polímero ao longo do tempo, criando uma fina camada que atrai as moléculas de água. As moléculas de água proporcionam uma via condutora que impede o acúmulo de eletricidade estática. Os aditivos antiestáticos reduzem a resistividade na superfície do polímero na faixa de 1010 a 1012 ohms/sq. , proporcionando uma taxa lenta de perda estática que evita o acúmulo de carga.
Antiestáticos são amplamente utilizados em embalagens como filmes, recipientes termoformados e garrafas PET, nos quais ajudam a separar as superfícies durante a produção e reduzir a atração de poeira para uma melhora estética em curto prazo.

Polímeros dissipativos intrinsecamente (PDI) formam uma matriz de polímero condutivo ou uma rede interpenetrante com o polímero base, evitando a lixiviação, com dissipação estática permanente a uma taxa de decaimento estático mais rápido do que antiestáticos migrando tipicamente de 108 a 1012 ohms/sq. , resistividade de superfície, dependendo da quantidade e dispersão do aditivo no polímero. Ao contrário do antiestáticos migratórias, a maioria dos PDIs operam praticamente independente da umidade relativa do ar, apesar da resistividade superficial ser um pouco maior (menos condutivo) em níveis baixos de umidade. PDIs podem ser coloridos, não descamáveis, dando-lhes uma vantagem sobre os de carbono negro.

A linha de modificadores de alto desempenho da DuPont Packaging & Industrial Polymers conferem propriedades específicas desejadas para uma grande variedade de polímeros. O primeiro produto na linha DuPont Entira introduzido globalmente foi o Entira AS. Desenvolvido pela DuPont-Mitsui Polychemicals Co Ltd, uma joint venture entre a DuPont e a Mitsui Chemicals Inc, o Entira AS oferece excelentes propriedades anti-estáticas, selagem com alta frequência e uma alta permeabilidade à umidade.
A Entira Antistat IDP da DuPont baseia-se em um ionômero de etileno, que faz com que seja compatível com poliolefinas, bem como outros polímeros, como ABS e poliestireno. Esta compatibilidade resulta em transparência e superfície lisa para embalagens poliolefinicas e recipientes moldados por sopro. Porque não ocorre migração, o Entira AS não interfere nas propriedades de selagem do filme.

O Entira Antistat SD 100 tem aprovações para contato com alimentos e mantém a resistividade entre 107-1012 em baixos níveis de umidade relativa (baixado para 12-15%), mas está limitado a temperaturas de processos mais baixas.

Estes foram os três primeiros vencedores dos Prêmios DuPont Packaging 2012. O próximo artigo tratará sobre o pote do creme Dahamsul Sulhwasoo, os PODS Tide  – Unidade de detergente líquidos para roupae e por último da tecnologia micro-celular da InCycle TCPE.

Texto revisado por Fabiana Paciulo

Eu raramente escrevo sobre embalagens médicas e farmacêuticas. A razão é simples. Em meus cerca de 45 anos de experiência na área de embalagens, estive envolvido principalmente com tecnologia de embalagens de alimentos e apenas esporadicamente e não frequentemente em aplicações não-alimentares. Além disso, sei que muitos dos meus leitores vão discordar, eu acho as embalagens para alimentos muito mais fascinantes e suas soluções mais complicadas, do que as embalagens não-alimentares. Claro que embalagens para produtos farmacêuticos e cosméticos também são muito exigentes, mas suas demandas surgem mais de regras e regulamentos, falsificações e similares e menos com os requisitos do produto.

Na edição de março da revista World Packaging eu li uma entrevista de Jim Butschli, Editor com Richard Adams, chefe do Design gráfico da embalagem na GlaxoSmithKline em Raleigh-Durham, NC / EUA. Uma das perguntas me impressionou: “O que você está procurando de fornecedores de embalagem? Você confia nos fornecedores mais no dia de hoje do que nos últimos anos?”.
Richard Adams respondeu: “Em uma palavra, inovação – materiais e soluções em embalagens inovadoras para atender aos esforços de diversificação dentro de nossa empresa. A variedade de produtos e suas exigências, juntamente com as restrições reguladoras do mercado obrigam as embalagens farmacêuticas a serem mais criativas em um espaço em constante evolução. Contamos com fornecedores que agregam mais valor. Nós simplesmente não temos tempo ou recursos para compreender o que está disponível e novidades”.

Então, para ajudar a acomodar a resposta, deixe-me destacar aqui alguns desenvolvimentos interessantes em embalagens farmacêuticas. Começamos com a embalagem que ‘fala’, é o futuro.

A embalagem que fala
O mercado mundial de embalagens de saúde é um mercado complexo. E é grande, como calcula a Visiongain, o mercado mundial de embalagens de saúde vai chegar a USD 93.9 bilhões em 2012. Os variados fatores que afetam a demanda e consumo de remédios, bem como o desenvolvimento de práticas médicas, determinam a embalagem, que é constantemente desafiada pelas tendências evolutivas tais como o aumento do uso de produtos médicos descartáveis, envelhecimento da população, a influência dos regulamentos, embalagens a prova de crianças e acessíveis a idosos, e a inviolabilidade da embalagem.

É um dos setores de embalagem que mais necessitam fornecer informações ao consumidor do que qualquer outra. E acima de tudo ao “deficiente”, não me interprete mal sobre essa palavra, me refiro ao consumidor, que está de uma forma ou de outra,seja por deficiência física ou mental, incapaz de usar todas as suas funções a 100%. E, vamos ser honestos, a leitura do folheto/bula com as instruções, pode causar uma dor de cabeça. Embalagens eletrônicas abordam o fato de que um terço de nós tem dificuldade em ler as instruções impressas em fontes cada vez menores.

A resposta pode ser encontrada na embalagem “que fala”. Há dois desenvolvimentos deste tipo neste momento (até onde eu sei). Um deles é o “TalkPack”, da Wipak Walsrode GmbH na Alemanha, que é um sistema que pode ser integrado invisivelmente em qualquer imagem impressa e em qualquer material de embalagem necessitando de uma caneta especial de digitalização e o outro é o resultado de um desenvolvimento recente da VTT Technical Research Centre da Finlândia usando “tags”, é baseado na tecnologia NFC (Near Field Communication) ligada a tecnologia NFC de telefones celulares para baixar textos, áudio ou informações sobre um produto em uma página web, que pode ser reproduzidos nos aparelhos.

Vamos dar uma rápida olhada no TalkPack e depois nos resultados de pesquisa da VTT.

O TalkPack
Com os códigos especiais do TalkPack, informações de todos os tipos podem ser armazenadas e podem ser integradas invisivelmente em qualquer imagem impressa. Uma caneta digital pode reproduzir fala, música, ou sons audíveis e assim, o consumidor pode obter informações sobre o fabricante, marca e prazo de validade dentre outras.

O método utilizado pela “TalkPack” não se limita à materiais de embalagem, pois pode ser utilizado em qualquer material impresso. Não são usados outros elementos compostos, o que poderia influenciar a qualidade da reciclagem.
Um leitor especial em forma de caneta é utilizado para recuperar as informações armazenadas e reproduzi-las como arquivos de áudio. A TalkPack não requer qualquer RFID ou microchip, o código em pontos é simplesmente impresso por cima das imagens e textos utilizando um verniz especial. Esta tecnologia pode ser usada em conjunto com todas as tecnologias de impressão e tipos de embalagens.
No entanto, a necessidade de utilizar uma caneta digital, significa que o “TalkPack” só pode ser ativado em lojas.

Atualização: Wipak me informou que, devido a problemas legais, eles tiveram que mudar o nome da “TalkPack” em: “Self Talk”.

A etiqueta da Near Field Communication

As etiquetas NFC (Near Field Communication) usadas pelo Centro de Pesquisa Técnica VTT podem ser adicionadas a qualquer embalagem, de modo que um consumidor poderia tocar o código na embalagem com seu telefone móvel habilitado para NFC para fazer o download de áudio, texto ou informações sobre o produto na página web, que podem ser reproduzidos em seu aparelho.
Em um exemplo da pesquisa, os dados armazenados em uma etiqueta NFC em um frasco de remédios forneceram instruções de dosagem para os funcionários da farmácia, com o intuito de ajudar pessoas com deficiência visual ou cega.

Atualmente, o número de telefones móveis com a tecnologia NFC é limitado, mas a VTT acredita que esse é um mercado crescente.

A indústria médica e farmacêutica poderá usar a tecnologia para exibir informações detalhadas e instruções em uma área pequena.

A VTT dirigiu o projeto de pesquisa “HearMeFeelMe” e acredita que existem “muitas possibilidades de usar a tecnologia NFC em serviços que melhoram a vida cotidiana das pessoas”.
Os cientistas da VTT acreditam que as pessoas estariam mais motivadas a descobrir informações sobre o produto, se essas informações estivessem disponíveis facilmente. Já é possível que o telefone móvel possa mostrar um vídeo sobre como usar um novo produto apenas tocando uma etiqueta com o seu celular.

Ambos os sistemas têm prós e contras. O ponto fraco no sistema da Wipak é a caneta digital, o ponto forte, é claro, é que ele pode simplesmente ser impresso em qualquer material de embalagem. Para o sistema da VTT o ponto fraco é a necessidade de uma etiqueta e o ponto forte é a disponibilidade para um telefone móvel habilitado para NFC. Eu creio que uma combinação de ambos os sistemas poderia levar a uma solução perfeita.

Eu disse no início deste artigo que eu tenho vários desenvolvimentos em embalagens na área da saúde em minha carteira, assim me sinto seguro para um próximo artigo. Volte sempre.

Texto revisado por Fabiana Paciulo

Dois anos atrás eu escrevi sobre um novo desenvolvimento como resultado de uma colaboração de algumas empresas de embalagens brasileiras. O PaperPouch foi um esforço conjunto das empresas Ibema, Tradbor, Dow Brasil e ESPM.

A rigidez do papel permite ao PaperPouch ficar “de pé”, além de oferecer uma aparência e toque únicos no mundo de bolsas pouch no mercado nacional. O polietileno, por sua vez, é responsável pela integridade física e proteção do conteúdo. As possibilidades de adição de novos materiais são praticamente infinitas, possibilitando oferecer a proteção necessária para as diversas utilizações.

A “plasticidade” do polietileno aliada a outros materiais adicionados por co-extrusão ou laminação permite ao PaperPouch armazenar grãos secos, cereais, café em grãos, ração animal, produtos de limpeza em pó, dentre outros.

Desde que o desenvolvimento foi noticiado, não vi nem fiquei sabendo de nenhuma aplicação deste interessante formato de embalagem, até recentemente, quando duas empresas diferentes nos EUA trouxeram seus produtos para o mercado em um stand-up pouch do tipo PaperPouch. Podem ser aplicações legítimas do PaperPouch original ou imitações (ilegítimas), o que não é possível saber pois as empresas  se recusaram a citar os fornecedores. Seja qual for o caso, é um desenvolvimento interessante e promissor em stand-up pouches.

Brad’s Raw Chips e Gummy Owls de Green Forest Nutrition: quando você olha para os produtos, percebe que se ajustam perfeitamente às bolsas stand-up em papel.
A Brad’s Raw Chips, Kale Hot, afirma que suas batatinhas são as “mais saudáveis do mundo”. A empresa diz que os chips (ou batatas fritas) são desidratados, não são cozidos nem fritos, e se mantêm saudáveis, com enzimas ativas e nutrientes que auxiliam a digestão. Essas batatinhas veganas cruas também são isentas de glúten.

A Green Forest Nutrition introduziu o Gummy Owls, descrito como “o primeiro gummies (balas de goma) do mundo para perda de peso em família”. Afirmam que são feitas com uma super fibra de inhame (konjac manan), clinicamente comprovada para redução de peso corporal e gordura em adultos e crianças com segurança.

Mas o que nos interessa é a embalagem/bolsa. Embora as empresas se recusem a informar as especificações dos materiais, sabemos que estas bolsas stand-up são feitas a partir de papel kraft laminado. O laminado é provavelmente um polietileno.

Em relação à camada interior de plástico, testes no Brasil resultaram em polietileno como sendo a melhor proteção possível para o produto, devido ao seu desempenho de vedação, e a sua integridade mecânica. A versatilidade do polietileno combinado com outros materiais incorporáveis por co-extrusão ou laminação permite que a bolsa de papel stand-up possa ser utilizada para grãos secos, cereais, grãos de café, alimentos para animais de estimação, detergentes em pó e muitos outros produtos. As possibilidades de incorporação de outros materiais são virtualmente infinitas, abrindo mercado para as mais diversas aplicações.

E há mais um. Na Austrália, me deparei com um stand-up pouch de papel para peixes.

A empresa australiana Australis afirma que preparar o seu saudável Barramundi (tipo de peixe) nunca foi tão rápido e fácil. O peixe cozinha a vapor no microondas em menos de 10 minutos (40-45 minutos num forno convencional), enquanto que a sua bolsa patenteada de papel não-branqueado retém o vapor para garantir o cozimento uniforme.

Então, essa foi a bolsa de papel, ou não? Enquanto pesquisava na internet, descobri também que há, em edições limitadas, stand-up pouches feitos de papel de arroz.
Bem, antes de mostrar os exemplos, vamos falar sobre o papel de arroz.

O termo papel de arroz geralmente se refere ao papel feito de partes da planta do arroz, como palha ou farinha de arroz. Esse termo também é utilizado para o papel fabricado a partir ou contendo outras plantas, tais como o cânhamo, bambu ou amora.

Na Europa, por volta dos anos 1900, uma substância semelhante ao papel era originalmente conhecida como papel de arroz, devido à noção equivocada de que ela era feita de arroz. Na verdade, se tratava da medula de uma pequena árvore, Tetrapanax papyrifer, a planta papel de arroz.
A planta cresce nas florestas pantanosas de Taiwan. A fim de produzir o papel, os ramos são fervidos e são retiradas as cascas. O núcleo cilíndrico da medula rola sobre uma superfície plana contra uma faca, através da qual é cortado em folhas finas com uma textura parecida com um fino marfim.
Ele é usado para origami, caligrafia, telas de papel e roupas. É mais forte do que o papel de celulose produzido comercialmente. Menos comumente, o papel é feito de palha de arroz.

OBS: Não confundir com outro tipo de papel de arroz, que é o papel comestível feito de amido e, especialmente, usado na cozinha vietnamita. Papel de arroz comestível é usado para fazer rolos frescos de verão ou rolinhos primavera fritos, onde o papel de arroz é chamado bánh tráng ou bánh đa nem. Ingredientes do papel de arroz alimentício incluem farinha de arroz branco, farinha de tapioca, sal e água.

Hora de dar uma olhada em alguns stand-up pouches feitos de papel de arroz.

Ma Snax Superior Dog Treats, são produtos orgânicos para cães feitos artesanalmente de forma sustentável. A nova embalagem é uma bolsa de papel de arroz com uma pequena janela. São elegantes e suaves ao toque e os rótulos coloridos se destacam. Afirmam que o stand-up pouch é uma opção de embalagem eco amigável. É reciclável, mas não compostável, pois são revestidas com polietileno para garantir a estabilidade e enquadrá-los na classe alimentícia.

E mesmo fora do setor alimentício você encontra um stand-up pouch feito de papel de arroz. A empresa oferece um kit de pintura com pincéis, incluindo 6 pacotes de diferentes cores, 6 potes compostáveis com tampas e 2 escovas de bambu (livre de crueldade – não testados em animais), em uma bolsa de papel de arroz. Não posso confirmar a alegação da compostagem dos frascos e da bolsa stand-up feita a partir de papel de arroz, pois não tenho informações específicas da empresa.

Se as afirmações estão corretas, as duas empresas fizeram um bom trabalho.

Texto revisado por Fabiana Paciulo

É de conhecimento dos meus leitores regulares que eu me oponho fortemente a qualquer uso dos chamados materiais de embalagem biodegradáveis ou compostáveis. Primeiramente, por falta de oxigênio, nenhum material de embalagem se degrada em aterros sanitários e as muito poucas instalações industriais de compostagem muitas vezes se recusam a aceitar materiais de embalagem em seus processos. Além disso, vamos encarar, não há materiais de embalagem feitos de um único componente. Sempre há revestimentos ou aditivos e frequentemente mais do que uma camada de diferentes materiais.

Na minha visão, existe apenas uma resposta à nossa montanha crescente de materiais de embalagem pós-consumo. A tecnologia tem de nos ajudar a desenvolver sistemas de reciclagem, de preferência os que reciclam “do berço ao berço”. E mais e mais destes sistemas estão chegando à maturidade, enquanto outros estão em desenvolvimento para preencher os espaços ainda não-cobertos.
Hoje eu quero discutir as embalagens com um elemento composto de alumínio, ainda vistas como não recicláveis por muitas pessoas e consequentemente indesejáveis.

Parece haver alguma confusão e equívoco sobre a reciclagem de embalagens que possuem elementos de alumínio. Em outras palavras as bolsas (pouches) feitas a partir de uma combinação de plástico/alumínio ou as famosas caixas de bebidas feitas de papelão/alumínio/plástico.
É preciso cerca de 95% a menos de energia para produzir alumínio secundário através de operações de reciclagem, em relação ao que é consumido na produção de alumínio primário a partir da bauxita. Esta é uma das principais razões da importância de se recuperar os componentes de alumínio a partir de materiais de embalagem e justifica o desenvolvimento de sistemas de reciclagem sofisticados.

Vamos começar com a reciclagem de embalagens flexíveis, um formato de embalagem com um imenso potencial de crescimento. Bolsas têm muitas vantagens, tais como o peso leve, resultando em economia nos custos de material e de transporte, mas devido ao conteúdo (alimentos) muitas vezes têm uma camada de alumínio e, consequentemente, são ditas como não recicláveis. É óbvio que os proprietários das marcas estão ansiosos para ver isso mudando já que querem colocar um “logotipo reciclável” nas embalagens para reforçar suas credenciais de sustentabilidade.

A afirmação acima, sobre as embalagens flexíveis com um componente de alumínio não serem recicláveis, está correta. Todavia, as evoluções recentes podem trazer essa condição ao fim.

O processo de reciclagem Enval
A Enval, uma empresa sediada no Reino Unido, um spin-off da Universidade de Cambridge, está buscando comercializar seu know-how patenteado que diz oferecer uma rota de reciclagem genuína para embalagens laminadas de plástico/alumínio que, até hoje, não poderiam ser recicladas.

Com os recentes investimentos garantidos a partir de um consórcio de investidores, incluindo a Cambridge Enterprise, Cambridge Capital Group e Cambridge Angels e com o apoio de parceiros industriais, como a Kraft Foods e a Nestlé, a Enval espera iniciar a sua primeira usina comercial em meados deste ano.

A matéria-prima viria inicialmente a partir de resíduos industriais gerados na cadeia de fornecedores de embalagens, a partir de fontes tão variadas quanto os fabricantes de filmes laminados, conversores de embalagens até mesmo fabricantes de alimentos. A empresa, mais tarde, olhará para resíduos de origem pós-consumo.

A bolsa stand-up refechável da Sprout Organic Baby Food tem uma estrutura multi-camada (PET/alu foil/OPA/PP). Como as bolsas não podem ser recicladas, a Sprout realizou parceria com a TerraCycle para recolher as bolsas pós-consumo, mantendo-as fora do aterro e reciclando em outros produtos de consumo tais como sacolas

A tecnologia patenteada Enval oferece uma rota de reciclagem genuína para embalagens laminadas de plástico/alumínio. A tecnologia separa os materiais componentes, extraindo alumínio 100% limpo pronto para introdução na cadeia de alumínio secundário e hidrocarbonetos que podem ser utilizados como combustível ou matéria-prima química.

O processo Enval baseia-se num processo chamado de microondas induzido por pirólise que permite que os resíduos sejam tratados em ausência de oxigênio. Em oposição à incineração, a pirólise ocorre sem a combustão do material (neste caso os resíduos), evitando a produção de gases de efeito estufa ou emissões tóxicas. Além disso, uma vez que o processo da Enval utiliza energia de microondas como fonte de calor, utilizando eletricidade renovável ou verde, o processo pode ser considerado carbono neutro.

Reciclagem de embalagens cartonadas
É certamente verdade que muito do papel usado em caixas de bebidas (Tetra Pak, SIG Combibloc, Elopak etc) é de fibra virgem, recuperado em fábricas de papel através de um processo de de-polpação. Mundialmente, existem algumas centenas de fábricas de papel que reciclam embalagens de bebidas pós-consumo, recuperando parte das caixas de papelão. A fábrica de papel que recicla a maioria das caixas é a alemã Papierfabrik Niederauer Mühle GmbH, reciclando cerca de 100.000 toneladas de embalagens a cada ano – o equivalente a 500 milhões de embalagens cartonadas.

No entanto, resta um resíduo de plástico/alumínio que não é e não pode ser processada pela fábrica e é atualmente depositado em aterro ou incinerado. Mas isso é desnecessário e um desperdício de alumínio bom de primeira qualidade.

Eu suspeito que a partir desta prática, vem a crença que embalagens de bebidas cartonadas não podem ser recicladas. Além disso, os municípios com coleta seletiva de lixo implementada, proíbem seus habitantes de colocar as embalagens cartonadas na pilha de papelão, usando o argumento de não serem recicláveis.
Mas há que ser dito que já reciclamos embalagens cartonadas há anos.

Em 2009 eu escrevi sobre a sofisticada primeira usina de reciclagem para Tetra Paks em Piracicaba/Brasil, que chega muito perto do princípio “berço ao berço”. A joint-venture entre a Alcoa Alumínio, Tetra Pak, Klabin e TSL Ambiental, usa a inovadora tecnologia de plasma, que permite a separação total de componentes de alumínio e plástico das embalagens. O processo de plasma permite o retorno como matéria prima para a cadeia produtiva de todos os três componentes das embalagens de papelão. Não é um ciclo perfeitamente fechado ou de reciclagem do berço ao berço, pois esses três componentes reciclados não são reutilizados em novas Tetra Paks.

E a tecnologia evolui. No fim do ano passado, a Stora Enso, inaugurou sua nova fábrica em Barcelona, Espanha, sendo a primeira a empregar a tecnologia chamada de pirólise que permite a recuperação completa de plásticos e de alumínio usados em embalagens cartonadas.
O laminado de plástico/alumínio recuperado de embalagens de bebidas é separado pela nova tecnologia de processamento. Isto significa que tanto a fibra quanto o alumínio podem ser totalmente reutilizados e o plástico utilizado para gerar energia no moinho. A fibra recuperada é utilizada para a produção de White Lined Chipboard no local.

O processo de pirólise, refinado em parceria com a Alucha Recycling Technologies, começa com o polilaminado (mistura de plástico/alumínio), que foi separado do papelão de caixas de bebidas numa câmara de polpação, que funciona como uma máquina de lavar.
Este resíduo é secado e quebrado em pequenos pedaços antes de passar pelo processo de pirólise, que consiste em expor o material à 400o C de temperatura em uma câmara livre de oxigênio.
O calor faz com que o plástico evapore enquanto o alumínio permanece. O gás evaporado pode ser utilizado para gerar eletricidade, enquanto o alumínio, que permanece não oxidado, pode ser reciclado e re-fundido sem problemas para ser usado em novos produtos de alumínio.

As características distintivas do novo sistema são que, ao contrário de uma tecnologia anterior que falhou por razões econômicas, usada na fábrica de Corenso Varkaus na Finlândia, a nova pirólise opera a uma temperatura mais baixa (400 ºC contra quase 800 ºC) e opera em uma câmara livre de oxigênio.
A câmara de Corenso Varkaus tinha de 10-15% de oxigênio, o que gera óxido de alumínio, que vale muito menos do que o alumínio puro.

O processo gera alumínio valioso e energia suficiente, através do plástico evaporado, para proporcionar 10% dos requisitos de energia na fábrica de papel em Barcelona. E com temperaturas mais baixas, significa que pode ser alcançado com uma conta de energia mais baixa.

Dr. Carlos Ludlow-Palafox

Com a ajuda e assistência técnica da Tetra Pak, a Stora Enso começou a operar o processo de pirólise no verão passado, depois de já ter executado um piloto com uma capacidade anual de 1.000 toneladas de embalagens cartonadas. As máquinas recém-instaladas permitirão que a Stora Enso mude para produção em escala industrial neste ano, com capacidade para processar 30.000 toneladas de embalagens cartonadas pós-consumo anualmente.

A Stora Enso afirma que a fábrica de Barcelona recebe atualmente caixas pós-consumo de leite e de suco de Espanha, França, Portugal e Reino Unido.

Vimos que a pirólise está no centro em ambos os processos, tanto da tecnologia Enval para embalagens flexíveis quanto da fábrica da Stora Enso em Barcelona para embalagens cartonadas. Agora há uma coisa interessante, no centro das duas empresas, tanto a Enval no Reino Unido quanto a Alucha em Barcelona, que refinou a tecnologia para a Stora Enso, está o Dr. Carlos Ludlow-Palafox, o técnico responsável pela tecnologia da pirólise. Carlos Ludlow-Palafox se formou em Engenharia Química pela Universidade Ibero-americana na Cidade do México em 1996. Ele ganhou um doutorado com distinção da Universidade de Cambridge para a tecnologia da pirólise, onde ele, agora como Pesquisador Associado de Pós-Doutorado, em conjunto com o Professor Howard Chase, realiza pesquisas sobre a pirólise de microondas para plásticos e de resíduos contendo plástico.

Concluindo, podemos dizer que o componente de alumínio em todas as diferentes embalagens desde bolsas até caixas de papelão, agora pode ser recuperado e usado como novo na próxima geração de embalagens.

Texto revisado por Fabiana Paciulo

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 537 outros seguidores